segunda-feira, 15 de setembro de 2014

IRMÃ LUZIA PREMOLI MEMBRO DA PROPAGANDA FIDE

Uma mulher, brasileira, no 'top' do Vaticano. Mas nada de indicar bispos

O Papa Francisco nomeou ontem, 13-09-2014, novos membros da Congregação para a Evangelização dos Povos. Entre os nomeados estão cardeais, bispos, alguns religiosos e uma irmã religiosa, a superiora das Missionárias Combonianas, a brasileira Luzia Premoli (foto).
E isto é uma novidade.
É desta maneira que a notícia foi acolhida pelo jornal Avvenire, explicando que é uma prática deste dicastério ter entre os seus membros também superiores gerais das ordens religiosas, mas é a primeira vez que é nomeada a superiora de um instituto feminino.
Assim, com Papa Francisco, pela primeira vez uma mulher torna-se membro de um ministério de primeira linha da cúria romana, isto é, de uma congregação.
O comentário é de Sandro Magister, publicado no seu blog, Settimo Cielo, 14-09-2014. A tradução é da IHU On-Line.
Nem a Congregação para os Religiosos, que tem entre seus membros os superiores religiosos, nunca teve entre seus membros uma mulher, mas sempre somente superiores de ordens exclusivamente masculinas.
Contudo deve ser dito que nesta congregação tem uma presença feminina. Trata-se de Nicla Spezzati, das Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo, no papel de sub-secretária. Assim como há religiosas e leigas entre os membros de alguns conselhos pontíficios: o dos leigos, da família, de Cor Unum, de justiça e paz.
“Propaganda Fide” é um dos mais importantes da cúria romana, tendo grande influência sobre todos os territórios de missão.
A ela cabe instruir as práticas para a nomeação dos ordinários de mais de mil circunscrições eclesiásticas espalhadas pelo mundo: quase 40% de todas aquelas da Igreja católica.
Mas a Irmã Luzia Premoli, como também os superiores religiosos masculinos que são membros da congregação, não poderá se ocupar das nomeações episcopais.
Como explica o cardeal prefeito da "Propaganda", Fernando Filoni, há dois tipos de reunião da congregação: a sessão ordinária onde se trata das nomeações eclesiásticas e a plenária que "traça as linhas diretrizes da atividade missionária que são propostas ao Santo Padre".
Na primeira participam exclusivamente os membros cardeais e bispos, enquanto que os superiores gerais, e agora também a superiora das combonianas, são admitidos somente na segunda.
Luzia Premoli é natural do Espírito Santo, diocese de São Mateus.
Nota da IHU On-Line: A fonte da imagem acima é: www.comboniane.org

Este artigo é da UNISINOS - IHU do dia 13/09/2014

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Vocação, uma história de amor

Ir. Geny Maria da Silva

Muitas vezes, temos uma ideia equivocada do sentido da vocação.  Para muitos, vocação significa uma inclinação ou talento para determinada profissão ou trabalho.  Sendo assim, o acento permanece sobre a própria pessoa, na escolha do que se pode fazer.

Porém, quando falamos em vocação em termos religiosos, utilizamos o significado que vem do verbo latim vocare que traduzimos por chamar.

Vocação é uma iniciativa amorosa e criativa de Deus que chama-nos, primeiramente, à vida. Desta vocação deriva-se nossa forma de estar  no mundo , ocupando nosso dom único quando aqui chegamos. Vamos aos poucos percebendo que a vocação não depende de nós, inicialmente ou exclusivamente, tampouco depende de nossas capacidades e perfeição. Também não somos chamados em primeiro lugar para fazer algo, mas é um encontro decisivo com uma pessoa, que nos ama e nos escolhe desde toda a eternidade para contribuir com Seu Projeto de Amor para toda a criação. O amor é a vocação fundamental de cada pessoa humana. Nascidos do Amor, somos continuamente por ele convocados a fazer dele o nosso caminho cotidiano.

Deus, que ao chamar-nos, na liberdade, nos capacita e nos compromete com uma resposta que toma em definitivo nosso coração e dá sentido ao nosso existir. Respondendo à vocação ao Amor, expressaremos a Beleza, a Bondade e a Verdade que são a manifestação do próprio Ser de Deus.

Assim toda a nossa existência, todo o nosso  agir estarão em concordância com esta vocação universal e nossa história será sempre uma História de Amor.




Você, jovem, em especial, deixe-se atrair pelo chamado que Deus lhe faz e que sua resposta possa lhe comprometer com a construção da tão sonhada Civilização do Amor.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

60 ANOS DE ENTUSIASMO MISSIONÁRIO

 1. Ir Rosalba o que significa para você celebrar 60 anos de vida missionária comboniana?
Significa celebrar os inúmeros os momentos felizes na minha vida! Momentos de profunda experiência missionária, na minha família quando minha mãe falava-nos das missões ou quando li pela primeira vez o livro de São Daniel Comboni, sobretudo a expressão: "estou disposto a dar mil vezes a vida pela libertação da África! Aos 18 anos, Deus me chamou com clareza: "você deve ser missionária". Celebrar 60 anos de vida missionária é celebrar muitas alegrias e sofrimentos que se tornaram sempre por amor: vida e vida de Ressurreição.
2. Qual foi a sua maior alegria nesses 60 anos?
A experiência mais significativa foram os anos que trabalhei na África, pois fiquei seduzida pelo povo de Lúrio- Moçambique. O povo mais sedento da palavra de Deus... sempre alegre e disponível para aprender e partilhar... povo capaz de superar as dificuldades com a música alegre do tambor..., capaz de perdoar e recomeçar sempre a sonhar.

Entrevista com ir Rosalba Bertoni



segunda-feira, 21 de julho de 2014

ESPIRITUALIDADE: EXIGENCIA PROFUNDA DA PÓS-MODERNIDADE


Ir. Antonietta Molinari

O tempo atual é caracterizado por mudanças rápidas, profundas, que se estendem a todos os campos do saber e da atividade humana. Abalam não só estruturas que até pouco tempo eram consideradas sólidas, mas, também, alteram os critérios de compreensão e os valores igualmente, até pouco tempo considerados intocáveis. Estamos vivendo um momento particular e controverso da história da humanidade. Verifica-se que a sociedade técnica e industrial, que não contempla o lado espiritual da realidade, fascina o homem moderno, mas não o satisfaz. Consequentemente, há um despertar espiritual, que brota de profundas exigências de interioridade, de verdadeira liberdade, de sede de Deus, impensável uns anos atrás, quando era cogitada a morte de Deus.

Se por um lado, o consumismo, o individualismo, o avançar de determinadas culturas em detrimento de outras são impostos com força pela mídia globalizada, do outro, percebe-se a emergência dos valores da igualdade, do pluralismo, da convivência pacífica na diversidade.
Neste contexto, a Vida Religiosa Consagrada, neste contexto, sente-se fortemente atingida. Fragmentada, sem os sólidos pontos de referência que sempre teve, às vezes sente-se perdida. Pergunta-se: como continuar a ser presença profética no mundo atual? Como integrar o diferente sem perder a própria identidade carismática? Como manter a unidade fecunda sem sacrificar a diversidade? Como realizar, através da comunidade religiosa, o projeto comum, que a missão exige, quando a mesma realidade é captada, compreendida, enfrentada e avaliada de maneira diferente, levando os membros a terem uma linguagem comum, mas, comportamentos diametralmente opostos?
Perante estas perguntas muitas Congregações afirmam que se faz necessária uma nova reestruturação da Vida Religiosa, feita com e pelo Espírito.
Não se trata mais do mesmo aggiornamento que muitas Congregações realizaram depois do Concílio Vaticano II (1962-1965) que levou a Vida Religiosa Consagrada a mudar visivelmente suas estruturas. Foram deixadas obras, novos destinatários prioritários foram eleitos. Registrou-se um êxodo do centro para a periferia, da classe média e alta aos mais pobres.
Agora, a mudança deve atingir níveis mais profundos, sem cair na tentação de voltar atrás. Segundo a lógica do Espírito, afirma Galilea (1984), a transformação das instituições, deve seguir a renovação das motivações que inspiram as novas opções, isto é da espiritualidade..

quinta-feira, 17 de julho de 2014

COLORINDO A VIDA E A MISSÃO




Recentemente concluímos um projeto que havíamos concebido há tempos para o muro de nossa casa provincial, em Vitória, ES.   Pensando nos 60 anos de nossa presença no Brasil  que celebraremos no próximo ano, quisemos deixar também visível  com a grafitagem, um pouco do nosso carisma e missão  para que mais pessoas possam conhecer- nos melhor. Há menos de um ano  tinha sido pintado o muro, este  já estava todo pichado. .. Cores fortes, palavras sem nexo, marcas que não tinham sentido... Estávamos inconformadas com esta desarmonia .  Contando com a ajuda de alguns colaboradores e de um artista grafiteiro, tudo ficou colorido, em clima africano, muito harmonioso.  As pinturas de paisagens africanas chamam a  atenção de todos que passam pela rua. Muitos pegam tempo para  tirar fotos, alguns pedem o endereço do artista, todos  permanecem maravilhados, contemplando esta obra de arte.

 A partir desta iniciativa,  ficamos pensando no sentido que damos à nossa existência.  O mundo às vezes está sendo marcado fortemente por forças  do mal. A violência, injustiças, guerras querem quase dar-nos a certeza de que não se tem saída, obscurecem aquele projeto maior do Deus da vida que tem possibilidades infinitas de tornar tudo belo, bom e habitável para todos.  Mas para que este seu projeto se realize,  Ele quer contar com cada um de nós e todos juntos. Somos vocacionados  a contribuir com nosso dom que Ele próprio nos presenteou e  expressar em tudo o Amor, que dá  sentido à nossa existência, embeleza o mundo.

Aqui fica um convite – apelo em especial para você jovem que quer dar um novo colorido a sua vida: Motivados pelo  maravilhoso projeto de Deus Pai, com os olhos fixos no artista por excelência, Jesus,    vamos desenhar o AMOR com grandes letras, e belas cores da solidariedade, da justiça e da paz. 







Ir. Geny Maria da Silva
Ir. Nilma do Carmo de Jesus

domingo, 13 de julho de 2014

50 anos de vida dedicada à construção do Reino de Deus



Ir. Anna Maria Valiatti

Nestes 50 anos, muitas coisas aconteceram, e foram motivos de muita alegria e ação  de graças: a minha vocação, a presença solidária junto aos menos favorecidos e,  a alegria de estar sempre ao lado do povo. Partilhei a minha vida com tantos povos do norte a sul do Brasil com entusiasmo, dedicação e amor, mas também aprendi muito com o povo e sou grata a Deus por isso.

O que me sustentou foi a oração, o amor a cruz, a contemplação de Jesus na Eucaristia e a presença de Maria como companheira.
Trago na memória a exortação de Paulo: “Sei em quem acreditei”! E posso dizer que a vocação é dom de Deus que deve ser colocada à serviços dos mais empobrecidos. 



















quarta-feira, 9 de julho de 2014

BOBOTO BOZALA NA BINO!

Ir. Luciene Rodrigues

Sou Ir Luciene, Missionária Comboniana, vivendo atualmente na cidade de Kisangani, na República Democrática do Congo, onde estou partilhando a minha fé e vida missionária com este povo querido. Desejo partilhar com vocês um pouco da minha experiência.
Começo apresentando o meu amigo Rodrigo Taumanato e seus pais. Eles fazem
parte  da primeira família que o nosso pároco da Paróquia Beata Anuarite, pediu que eu acompanhasse e se tornaram muito especiais para mim neste começo de Missão aqui no Congo.

Rodrigo tem 20 anos e desde os 7 anos começou a ter problemas para caminhar e aos 13 deixou de caminhar completamente, seus músculos foram se atrofiando. Mas o que me encanta e emociona nesta família é a Fé que eles têm, nunca se queixam desta situação, são sempre trabalhadores, acolhedores, comprometidos na paróquia e firmes na vida de oração em família.
Rodrigo não pode ir à escola, pois não consegue ficar sentado, mas com a ajuda dos pais e dos irmãos, se esforça para não esquecer o que aprendeu quando frequentava as aulas. Ele fala muito bem o francês, kiswhali e lingala e me corrige quando não falo bem.
Comecei a visitá-los para levar a Eucaristia ao Rodrigo e a sua avó. Eles ainda não receberam o Sacramento da Confirmação. Estou preparando-os para o sacramento. Rodrigo acompanha a catequese com muito interesse, tem seus momentos de oração pessoal e familiar.
A primeira ideia era que Rodrigo recebesse da Crisma em sua casa, já que ele vive acamado. Porém conversando um pouco com a comunidade e com o pároco nos perguntamos: porque não leva-lo à Igreja no mesmo dia que o grande grupo dos adolescentes também receberão o sacramento da confirmação? Rodrigo e seus pais ficaram emocionados com esta proposta.
No dia da crisma, vamos preparar um lugar especial para Rodrigo na Igreja, pois aqui na RD Congo, as celebrações são longas. Ele está muito feliz e ficou ainda mais contente quando eu pedi autorização para publicar seu testemunho aos meus amigos e amigas e pediu que eu cumprimentasse vocês todos em lingala: BOBOTO BOZALA NA BINO (a Paz esteja com vocês), esta é a mensagem de Rodrigo para todos vocês. Um abraço a todos, unidos na oração.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

O ENCANTO DA EMBAÚBA



A embaúba é uma planta simples, de médio porte, madeira fraca e crescimento rápido. Pioneira e rústica, ideal para início de reflorestamento em áreas degradadas. Foi através dos nossos irmãos budistas do mosteiro Zen de Ibiraçu (ES) que a conheci, durante a maravilhosa experiência de Retiro Peregrino organizada pela Comunidade da Trindade, de Salvador (BA).
Esta planta da folhagem prateada cativou-me. Fiquei encantada escutando como, através dela, o monge Daju conseguiu  recuperar a Mata Atlântica naquela área, onde o pasto já tinha tomado conta de tudo.
A Embaúba tornou-se para mim verdadeiro objeto de contemplação durante a caminhada.  Gostava identificá-la no meio das outras plantas, imaginando o seu trabalho firme e silencioso, através do qual a floresta ganhou aos poucos, espaço sobre o pasto.
Percebia nela uma vocação especial, de instrumento de Vida em um contexto difícil e hostil. Senti especialmente como a sua presença, ao longo do caminho, lançava uma luz sobre a vocação missionária.
De fato, não é o que se pode dizer de uma planta majestosa, não chama atenção pela sua beleza, mas consegue mobilizar muitas forças, aves, insetos, para que o milagre da vida aconteça. Atua, sobretudo, em parceria com outras plantas da mesma espécie, espalhadas como o fermento na massa, longe da busca dos primeiros lugares, disposta a diminuir a fim de que outros cresçam.
No coração de muitos homens e mulheres, Deus colocou o desejo de ser embaúba para o reino dos céus. Daniel Comboni foi embaúba para a missão da África Central, contagiando com este sonho muitos e muitas outras, até os dias de hoje.
A ele e a todos os homens e mulheres cuja vida se espelhou e se espelha maravilhosamente na figura desta planta pioneira, pedimos a benção e intercessão a fim de ser dóceis instrumentos de Deus a serviço da humanidade mais ferida e humilhada.
 Ir. Chiara Dusi
Missionária Comboniana